Thursday, September 10, 2009

Onze de Septembro



Lembro-me do aquele dia fatal como se fosse ontem, e é difícil acreditar que já é o oitavo aniversário.

Começou como um dia qualquer, e eu estava ainda em colégio na sala de química às 9:00 a.m. Nosso professor Senhor Covotsos acabara de começar a aula quando recebeu alguma noticia por telefone. Eu e os meus amigos estávamos conversando ansiosamente sobre o novo álbum de Jay-Z(Blueprint) que lançou nesse mesmo dia, e fingindo prestar atenção na aula. Logo depois de desligar o telefone, ele nos disse que havia um acidente, e um avião colidira contra o World Trade Center. Naturalmente tivemos alguns questões, mas ele disse que não sabia todos os detalhes, havia apenas um incêndio que os bombeiros estavam controlando, e tudo daria certo. Uma garota da nossa turma foi permitida sair porque seus pais trabalhavam no W.T.C, e depois recomeçamos a aula sem falar mais no assunto.

Nenhum de nós tinha a menor idéia da gravidade da situação. Muitas coisas loucas acontecem na cidade do Nova Iorque, e um incêndio não nos parecia grande coisa. Eu achei que era só um avião pequeno, talvez um cessna, ou algo parecido pilotado por um cara sob a influência de álcool. Continuamos o resto da aula como normal, tomando notas e batendo papo. Quando a aula acabou ficamos sabendo que um segundo avião colidiu contra o outro edifício, e que os dois eram aviões a jato; noticia chocante que implicava terrorismo.

O resto do dia se movia em câmara-lenta como fosse um desses filmes de desastres. Eu não acreditava o que estava acontecendo; foi surreal. Fomos mudados para o auditório onde assistíamos as noticias boquiabertos até os nossos pais viessem. Minha mãe chegou muito agitada e saímos para pegar um taxi. Lá fora, as calçadas estavam cheias de gente andando na mesma direção já que o metrô não estava funcionando. Ouvia-se todo tipo de conversação, e o sentimento que o mundo nunca seria o mesmo era penetrante. Por atrás, se podia ver nuvens escuras de fumaça na distância onde tudo aconteceu.

Apesar da tragedia eu não esqueci o novo álbum de Jay-Z(nem os meus amigos), e fui comprar um antes de ir para casa em alto Manhattan. Era curiosamente sereno no meu bairro, o tempo era maravilhoso, e as crianças ainda brincavam nas ruas. Em casa eu gastei o resto da tarde escutando música, batendo papo com os meus amigos na internet sobre os eventos do dia, e assistindo as noticias. Foi o início de uma época de medo, incerteza, de guerra...mais pra falar a verdade, eu até tenho saudades.

2 comments:

hallancs said...

Foi bem triste mesmo. Mais uma para lista de derrotas históricas da humanidade. Não quero entrar no mérito de julgar se este ataque foi justo ou não, no entanto, é interessante notar que nem todos ficam tristes... nem todos saem perdendo com algumas coisas que acontecem... Pra mim, este acontecimento pode ter sido mais uma daquelas histórias que a gente não sabe quem realmente foi culpado/interessado/vencedor. Certamente não foi a humanidade (maior derrotada desta história), contudo, há muitas pessoas desumanas neste mundo...

André Ferraz said...

Uau!
Você escreve muito bem!
E é muito criativo também!
Continue assim! Seu português está muito bom!
Logo, logo estará impecável!
Parabéns!

Quanto ao incidente do 11 de setembro, com certeza foi algo lamentável. Um dia que marcou a história.

Que Deus leve paz aos corações das pessoas.

Abraços!

=)